quarta-feira, 1 de junho de 2016

Papo HQ: Quadrinhos bons Vs Quadrinhos Ruins

The Wicked + The Divine: uma ótima HQ que está saindo há um tempo pela Image e que ainda não chegou ao Brasil. Por quê?

Dizem que "gosto é que nem nariz, cada um tem o seu". Essa frase faz sentido - mas em parte, na minha opinião. Afinal de contas, mesmo no que tange à arte (que é muito subjetiva), há diversos parâmetros técnicos, por exemplo, que podem colocar à prova a qualidade de toda e qualquer obra. 

Na nona arte temos premiações nacionais e internacionais, como o Eisner Awards e o Festival D'Angoulême (França) que ocorrem anualmente.  Além dessas premiações, críticos, curadores e veículos especializados são importantes para destrinchar as obras e fazer análises que podem enriquecer a leitura de nós, leitores comuns, além de servirem de guia para separarmos o "joio" do "trigo".

Mas, mesmo nós, os leitores comuns de quadrinhos, nos tornamos críticos cada vez mais exigentes com o passar do tempo. Eu leio quadrinhos há pouco mais de 2 anos e sinto que o meu gosto foi ficando cada vez mais apurado. Histórias genéricas de super-heróis, vide alguns dos títulos recentes dos Novos 52 - DC Comics e Marvel Now - Marvel, não me apetecem mais; títulos com um hype altíssimo atualmente e que vendem muito, mas como não agregam nada à minha vida eu deixo passar; obras que servem apenas para completar coleções na estante ou que apenas possuem edição e lombada bonitas, mas sem conteúdo, não me interessam... Eu me tornei uma leitora exigente, e isso é muito bom!

Porém, infelizmente nem todos os leitores pensam como eu: os quadrinhos de super-heróis - mesmo os ruins - ainda lideram o mercado; excelentes quadrinhos como os da IMAGE não são lançados no Brasil porque vendem pouco; leitores barbados estão mais preocupados com as novas polêmicas envolvendo o Watchmen no Rebirth da DC e o novo status do Capitão América do que com boas histórias (e as editoras criam essas polêmicas justamente para venderem quadrinhos); muitos quadrinhos nacionais de péssima qualidade são exaltados pelos críticos aparentemente apenas por serem nacionais; leitores fresquinhos preferem não comprar clássicos como "A Saga do Monstro do Pântano" e "A Patrulha do Destino" porque as edições possuem papel pisa-brite ao invés de um papel mais luxuoso; dentre outras coisas.

Além disso, os veículos midiáticos que falam de quadrinhos, tais como os sites de críticas ou vlogs do Youtube muitas vezes priorizam falar dos títulos mais famosos das grandes editoras e do que está saindo nas bancas e livrarias atualmente, pois isso gera mais views. Na verdade, é o paradoxo do que veio primeiro, o ovo ou a galinha: os leitores não leem as obras mais desconhecidas porém de maior qualidade porque os resenhistas não falam delas ou os resenhistas não falam delas porque a galera não se interessa e não as lê? Fato é que o brasileiro lê pouco e, embora tenha havido um crescimento notável no mercado de HQs no país nos últimos anos, as coisas ainda engatinham por aqui. 

Recentemente ouvi um podcast do site UniversoHQ e fiquei impressionada com a diferença do mercado europeu para o nosso. Segundo informações do podcast, na França eles priorizam a qualidade em detrimento de qualquer outra coisa, e apenas coisas realmente muito boas são publicadas. Já o nosso mercado parece estar muito mais atrelado ao norte-americano, já que o brasileiro adora tentar seguir as modas yankes. A galera quer ler o que está bombando lá - mas que seja da Marvel ou DC, e dos mesmos personagens de sempre. E agora temos os filmes de heróis que estão "bombando" nas telinhas e que fazem com que as editoras aproveitem o hype para publicar títulos de qualidade muito duvidosa, sabendo que a galera vai correr às comic shops e, no caso do Brasil, às bancas para comprá-los. 


Strangers in Paradise, um quadrinho consagrado que as editoras não publicam no Brasil. Por quê?

O jeito é nós, os leitores exigentes, garimparmos com cuidado os melhores títulos e comprarmos o que realmente vale a pena, nem que seja na Amazon gringa. Não podemos ficar dependentes do mainstream do mercado brasileiro (leia-se das editoras e posts patrocinados por elas nos sites de críticas). Os sites de scans estão aí também para nos salvar. Existem sites especializados em traduzir as obras da Image (Guardiões do Globo, excelente por sinal), em traduzir quadrinhos europeus desconhecidos no Brasil, títulos mais desconhecidos da Marvel, DC e Vertigo que estão fora de catálogo no Brasil ou ainda nem chegaram aqui e podem não chegar e que são muito bons, mangás que nunca foram - e talvez jamais serão - publicados aqui e são excelentes. 


Por Nanda Lima, uma leitora apaixonada por quadrinhos bons de verdade.

* Papo HQ é uma nova coluna do blog criada para discutirmos sobre o mercado de quadrinhos e quaisquer outras ideias relacionadas à Nona Arte, de um jeito informal, mas com os pés no chão. 


sábado, 30 de janeiro de 2016

Livros, Séries, Discos, Músicas, Filmes e Quadrinhos de Janeiro


Este é o RESUMO DO MÊS, em que eu comento brevemente sobre o que li neste período, os melhores discos, músicas, séries, filmes, sites e canais do Youtube que descobri e sobre os lançamentos literários mais bacanas das editoras nacionais.

Livros_Lidos

Neste mês eu li 5 livros e 7 quadrinhos.

Os livros foram:
  • Matadouro 5, Kurt Vonnegut: dei 5 estrelas no Skoob e me apaixonei pelo autor. Li no ônibus, vindo de São Paulo, e perdi até o sono por causa dele. Leitura gostosa, fluida e de muita qualidade. Confira RESENHA AQUI. Estou louca por uma edição em português de café-da-manhã dos campeões, mas não encontro em lugar nenhum.
  • John Lennon -  a vida, Philip Norman: também dei 5 estrelas no Skoob. Uma biografia necessária para qualquer fã dos Beatles e do John. O livro não é chapa branca, e apesar de respeitar - muito - o legado de Lennon, não poupa o leitor dos fatos mais controversos da vida dele. RESENHA EM BREVE.
  • O futuro de uma ilusão, Sigmund Freud: primeiro texto do pai da psicanálise que leio. Fiquei surpresa com a facilidade em que entendi tudo o que o texto propõe. Confesso que esperava uma leitura arrastada e muito difícil. Aqui Freud desconstrói, a partir da análise psicológica, a crença em deuses. Genial. Levou 5 estrelas no Skoob. RESENHA EM BREVE.
  • O Senhor dos Anéis - As duas torres, J. R. R. Tolkien: mais um 5 estrelas no Skoob. Livro maravilhoso, segunda parte da trilogia que é a verdadeira Bíblia da Alta Fantasia. Literatura de alta qualidade. A resenha vai sair assim que eu ler O retorno do Rei.
  • O Aleph, Jorge Luis Borges: outro 5 estrelas no Skoob. O primeiro livro do Borges que leio. Obra totalmente diferente do que estou acostumada a ler, o que é ótimo porque me tira da zona de conforto. Recheado de frases sensacionais, uma pérola do realismo fantástico. RESENHA EM BREVE.

Os quadrinhos foram:
  • O escultor, Scott McCloud: dei 5 estrelas no Skoob. Esta foi uma leitura mais que especial por causa do lugar em que foi feita: Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em minha primeira (de muitas, espero) visita que fiz a São Paulo. A obra é um lançamento recente da Editora Marsupial e está sendo muito comentada pelos blogs e vlogs sobre HQs. E não é por menos. Mais conhecido pelos livros de teoria da 9ª arte que escreve, McCloud domina com maestria a narrativa gráfica e nos brinda com uma obra madura, sensível e imperdível. Confira RESENHA AQUI.
  • Sex Criminals Volume 1, Matt Fraction: levou 3 estrelas no Skoob. A narrativa gráfica é bacana, os desenhos legais e a colorização excelente. Em termos de história, é divertida e só. Não tem nada demais. Mas se você quer ler um quadrinho descompromissado fora daquela linha de super-heróis, pode conferir. RESENHA EM BREVE.
  • Sandman Edição Definitiva Volume 2, Neil Gaiman: 5 estrelas no Skoob. mais um volumão sensacional de Sandman. Neil Gaiman é um mestre da narrativa que constrói um mundo extremamente bonito e poético com elementos de várias culturas (como as tragédias gregas). Neste volume mergulhamos mais fundo na história de Morpheus, sua família e o espetacular mundo dos sonhos. RESENHA EM BREVE.
  • Monster Volumes 8, 9, 10 e 11: 5 estrelas no Skoob. Um mangá simplesmente imperdível e que deveria ser lido por todo mundo. Se você tem preconceitos contra quadrinhos americanos ou japoneses, dê uma chance para Monster. Uma história que trata de redenção, busca pessoal, vocação, Guerra Fria, xenofobia, justiça e outros tantos assuntos substanciais. Confira a RESENHA DOS PRIMEIROS VOLUMES AQUI.





Lançamentos_Literários

Como sempre as editoras enchem as prateleiras com muitas obras, mas a grande maioria delas está nos nichos romance ou Young Adult. No entanto, alguns poucos realmente não podem passar desapercebidos. 

Como curar um fanático, Amós Oz (Companhia das Letras)

Como Curar Um Fanático

Reedição do livro de ensaios do aclamado escritor israelense falando"sobre a natureza do extremismo" e propondo "uma aproximação respeitosa e ponderada para a solução do conflito entre Israel e Palestina". Nesta edição foi incluído um ensaio recente sobre os atentados em Paris no dia 13/11/2015. Entrou para a minha lista de leituras deste ano.

E falando sobre Literatura e os atentados em Paris, leia um ensaio sensacional que saiu na Revista Piauí deste mês NESTE LINK, tentando explicar o porquê do clássico de Hemingway, 'Paris é uma festa', ter voltado à lista de mais vendidos na França logo após a tragédia.


Trumbo, Bruce Cook (Intrínseca)

Trumbo

Este lançamento é para aqueles que gostam de biografias e de ler as obras que inspiraram os filmes indicados ao Oscar. O filme homônimo está concorrendo na Academia deste ano na categoria melhor ator para Bryan Cranston (o fenomenal Walter White de Breaking Bad). Conta a história real de um roteirista de Hollywood que foi perseguido pelo governo americano nos anos 50/60, por ser comunista, e que chegou a ganhar dois Oscar.


 Ponto de Fuga - conversas sobre livros, Ana Maria Machado (Companhia das Letras)

Ponto de Fuga

Ana Maria Machado é uma das grandes escritoras brasileiras, principalmente em se tratando de Literatura Infantil. Aqui a autora, que já foi laureada com o prêmio Hans Christian Andersen de Literatura Infantil, "discute, entre outros assuntos, a formação do leitor, as obras infanto-juvenis, o papel da escola e os segredos do escritor no ato da criação".


 O regresso, Michael Punke (Intrínseca)

O Regresso

"Inspirado em fatos reais e escrito em uma prosa arrebatadora, O Regresso é uma notável história de obsessão, um romance sobre um homem cuja vida foi ao mesmo tempo salva e condenada pela sede de vingança". Mais um livro que serviu de inspiração para um filme do Oscar. Neste caso 'O regresso' concorre nas categorias melhor filme, ator, diretor, ator coadjuvante, fotografia, direção de arte, figurino, montagem, efeitos visuais, edição de som e mixagem de som.  Vi a película e, a julgar por ela, a história é maravilhosa. Também foi para a lista de leituras do ano.


 O universo numa casca de noz, Stephen Hawking (Intrínseca)

O universo numa casca de noz

Depois de reeditar 'Uma breve história do tempo', a Intrínseca reedita 'O universo numa casca de noz', outra obra genial de divulgação científica de uma das maiores mentes vivas hoje: o físico Stephen Hawking. No meu caso entrou para a lista de releituras do ano. Imperdível.


 Vale tudo, Nick Davies (Intrínseca)

Vale-tudo da notícia

Li um trecho dessa obra na Revista Piauí deste mês. Aqui o jornalista investigativo Nick Davies escancara os bastidores do escândalo de 2011 envolvendo o magnata da mídia Rupert Murdoch e a rede de manipulações, chantagens e falcatruas inacreditáveis perpetradas por seus jornais. Foi para a lista de desejados, sem dúvida. Leia o trecho do livro NESTE LINK


Discos

Este foi o meu primeiro mês com o Spotify Premium, e eu ouvi muita coisa legal. Mas aqui vão os 5 melhores discos que foram um deleite para meus ouvidos em janeiro.

 Os Mutantes, Os Mutantes (1968)


Considerado por muitos, e por esta blogueira que vos escreve, o melhor disco de Rock brasileiro de todos os tempos. Uma pérola do psicodelismo dos anos 60, foi reverenciado até por Kurt Cobain. Destaque para a primeira faixa, Panis Et Circenses. Confira um texto muito bacana sobre ele da finada revista Bizz NESTE LINK. Ouça abaixo.



 Moondance, Van Morrison (1970)


Resolvi ouvir Van Morrison e este foi o disco do cara que mais curti. Com uma mistura de R&B, Country Rock e até uma levada Jazz em 'Moondace', é um discaço que vai agradar os ouvidos de quem tem bom gosto. Destaque para as duas primeiras faixas. Ouça abaixo.



 Led Zeppelin III, Led Zeppelin (1970)



Outra pérola dos anos 70: o terceiro disco do Led. Com uma bateria poderosa e suingada, um violão folk e a voz marcante de Robert Plant, este disco é sensacional de cabo-a-rabo. Destaque para todas as faixas. Isso mesmo, todas. Ouça abaixo.



 O passo do lui, Os Paralamas do Sucesso (1984)



Paralamas é a melhor banda de Rock em atividade no Brasil, na minha opinião. E o seu segundo disco de estúdio, lançado nos longínquos anos 80, é uma verdadeira joia do Rock brazuca em seus bons tempos. O disco é tão bom que parece mais uma seleção ao estilo 'Best of'. Destaque para 'Romance Ideal', 'Mensagem de amor' e 'Me liga'. Ouça abaixo.



 Fruto proibido, Rita Lee & Tutti Frutti (1975)


Quando Rita Lee saiu dos Mutantes em 1972, sua resposta foi um disco que também está entre os melhores do Rock brasileiro. Com uma banda extremamente competente (riffs de guitarra poderosos, bateria suingada, baixo potente e um piano cheio de personalidade), letras grudentas e a voz rouca e marcante de Rita Lee, esse é um disco imperdível. Mesmo. Destaque para 'Dançar pra não dançar', 'Agora só falta você', 'Cartão Postal' e 'Ovelha negra'. Ouça abaixo. 



Filmes_Séries

Este foi o mês de assistir aos filmes que concorrem ao Oscar. Vamos aos meus preferidos e à série destaque do mês.

O regresso, Alejandro González Iñárritu (2015)




Iñárritu levou o Oscar de melhor filme ano passo por 'Birdman', e parece que vai ser bi com 'O regresso'. Este é um filme épico, deslumbrante, que incomoda pela sua crueza e beleza. Poético e um retrato muito verossímil (baseado em fatos reais) de até onde um ser humano pode ir até alcançar um propósito, vencendo até a morte. Destaque para a atuação de Leonardo Di Caprio que, espero, renda o seu primeiro Oscar. Imperdível.


Beasts of no nation, Cary Joji Fukunaga (2015)



A Netflix provou que, além de boas séries, sabe também produzir bons filmes. 'Beasts of no nation' é um retrato fiel das inúmeras guerras que assolam os países africanos nos tempos modernos e que arrasam lugarejos e tribos, além de recrutar crianças para serem soldados. Destaque para a maravilhosa atuação de Idris Eldra, que infelizmente foi ignorada pela Academia.


Spotlight, Thomas McCarthy (2015)



Spotlight trata da investigação, por uma equipe do jornal The Boston Globe, dos casos de abuso sexual e pedofilia por membros da arquidiocese católica de Boston. É um relato perturbador sobre como a Igreja Católica lida (lidava?) com casos de pedofilia, e como eles são muito mais comuns do que imaginamos. A lição que ficou para mim é sobre a importância do jornalismo investigativo para a sociedade.

The Americans (2013-)


The Americans é uma série de televisão americana criada por Joe Weisberg, um ex-agente da CIA. Iniciou-se em 30 de Janeiro de 2013 no canal FX. A série tem como cenário a Guerra Fria na década de 1980, e conta a história de Elizabeth (Keri Russell) e Philip Jennings (Matthew Rhys), dois agentes soviéticos da KGB que se fazem passar por um casal americano a viver nos subúrbios de Washington D.C. Tanto os seus filhos (Holly Taylor e Keidrich Sellati) como o vizinho Stan Beeman (Noah Emmerich), que trabalha na secção de contra-espionagem do FBI, desconhecem a sua verdadeira identidade. Ela já tem 3 temporadas e está com a 4ª confirmada para este ano. É uma série sensacional, com um contexto histórico muito interessante, boas atuações, suspense e ação.

Sites_Vlogs

Os melhores sites e vlogs sobre literatura e cultura que descobri este mês foram:


Livrada


O Yuri faz um blog (e canal no YouTube) sobre literatura diferente de tudo o que já vi. Sem papas na língua e com um ótimo senso de humor, ele só indica a "nata" da literatura. Além disso é o criador do desafio livrada, que é seguido por muitos vlogs e blogs do meio.


Claire Scorzi



A Claire manja muito de Literatura e sempre indica clássicos sensacionais, inclusive aqueles desconhecidos por boa parte dos leitores. Vale a pena conferir.


Piauí


A revista _piauí é sensacional, talvez uma das melhores do país. Seus textos são ao estilo jornalismo literário, e sempre traz artigos sobre Literatura. Se você não assina ou compra a revista, vale conferir o site que traz quase todo o conteúdo da revista.


Ufa! Isso é tudo! E você, o que foi que mais gostou de ler/ouvir/assistir este mês? Comenta aí. Abraços!

Resenha: O escultor, Scott McCloud, Jupati Books (First Second)

País de Origem: EUA
Ano de Publicação: 2015
Ano da edição brasileira atual: dezembro/2015
Tradução: Érico Assis

Sinopse: David vai dar sua vida pela arte. Literalmente.
Após um acordo com a Morte, o jovem escultor obtém seu desejo de infância: esculpir o que quiser com as mãos nuas. Mas agora que só lhe restam 200 dias de vida, decidir o que criar é mais difícil do que ele pensava. Descobrir o amor de sua vida na penúltima hora não ajuda em nada. 




MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Foi em um passeio à Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, que eu li 'O Escultor'. Sentada ali mesmo no chão, mergulhei na poderosa narrativa gráfica de Scott McCloud, e me esqueci do mundo.

Um jovem escultor em busca de reconhecimento e completamente falido vê-se diante de uma oportunidade única: poder moldar o que quiser e como quiser com as mãos. Porém, como tudo na vida, isso tem um preço: ele viverá apenas 200 dias a partir do momento em que aceitar a oferta.

Um relato sobre nossas expectativas quanto à vida, nossos sonhos, frustrações, família, morte, legado, significado da existência e prioridades.

Comovente sem ser piegas, com personagens extremamente cativantes e uma estrutura de enredo sólida e fluida, 'O escultor' é um quadrinho dos mais maduros e inteligentes que já li.

Uma das coisas mais interessantes sobre a obra é que ela te dá um perspectiva diferente sobre o que é arte e o que significa ser um artista, as dificuldades que alguém que produz algo tão subjetivo enfrenta para ser compreendido, reconhecido e respeitado pela crítica e pelo público.



DESENHOS

Os traços são estilizados, sóbrios ou mais psicodélicos no momento certo, e os enquadramento dinâmicos e totalmente sintonizados com a história. Destaque para o azulado da colorização, que dá um tom ainda mais melancólico à história, e para o sombreamento, que dá uma maior profundidade e perspectiva para as cenas, especialmente àquelas em que o artista está esculpindo suas obras.







VEREDITO

Imperdível!

Nota:
5/5



Livros Clássicos: Tragédias Gregas

Estou começando uma nova série no blog, chamada Livros Clássicos, contendo pequenos e simplificados (ao máximo) guias sobre Literatura Clássica, com obras separadas por estilo, um resumo sobre o mesmo, principais autores e principais obras desses autores (com links para as edições disponíveis). O objetivo é incentivar a leitura das obras clássicas da Literatura Mundial, já que elas foram fundamentais para a construção, ao longo do tempo, da nossa sociedade ocidental e da cultura como a conhecemos. Neil Gaiman, por exemplo, na premiada HQ Sandman, inspirou alguns dos personagens nas tragédias gregas, que são o tema deste post.


Segundo o site Estudo Prático,

"chamamos de tragédia – do grego antigo –, uma forma de dramatização caracterizada por sua seriedade, dignidade e a presença da representação de deuses, do destino ou de contextos da sociedade. Derivada da poética e da tradição religiosa da Grécia Antiga, a tragédia possui raízes no ditirambos, que eram os cantos e danças realizados em homenagem e honra ao deus grego Dionísio – para os romanos, Baco -. As apresentações, dizia-se, foram criadas pelos sátiros, que eram seres meio podes que cercavam Dionísio em suas orgias. Isso deu origem ao nome, pois as palavras gregas τράγος e ᾠδή, que significam respectivamente bode e canto, originaram a palavra tragosoiodé – canções dos bodes. Daí a palavra tragédia foi derivada".

As tragédias gregas que sobreviveram até nossos dias são de autoria dos dramaturgos Ésquilo, Eurípedes e Sófocles, sendo Ésquilo o mais antigo deles. Um outro dramaturgo grego cujas obras sobreviveram é Aristófanes, autor de comédias.


Ésquilo (525 a.C. - 456 a.C.)


Segundo a Enciclopédia Mirador Internacional e Dicionária Oxford de Literatura Clássica (Jorge Zahar Editor), Aristóteles afirmou que Ésquilo foi o criador da tragédia grega. O autor escreveu mais de 90 tragédias, mas apenas 7 sobreviveram até nossos tempos.
"Entre as idéias fundamentais das tragédias de Ésquilo estão a da fatalidade, agindo através da vontade divina e da paixão humana; as taras hereditárias desencadeadas pelo pecado e as maldições que as acompanham; o ciúme dos deuses, provocado pela glória humana excessiva; a intervenção dos deuses em favor dos que lhes são devotados; e a inferioridade da força ante o espírito. Ésquilo reinterpretou os mitos gregos para sancionar a nova ordem social que surgia - a ordem da pólis, a cidade-estado grega, ou seja, a cidade enquanto expressão de uma cultura elaborada. Através de seus personagens, ele trata dos destinos coletivos, mas valoriza o indivíduo".

Principais Obras

  • Oréstia - trilogia composta por Agamêmnon, Coéforas e Eumênides (Comprar)

Todos foram publicados no Brasil pela Editora Zahar e estão disponíveis em versão física e em e-book (inclusive na Amazon BR).


Vídeo da Claire Scorzi comentando as obras de Ésquilo:


Sófocles (497 a.C. - 405 a.C.)



Segundo a Wikipedia,

"Sófocles foi um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes, dentre aqueles cujo trabalho sobreviveu. Suas peças retratam personagens nobres e da realeza. Filho de um rico mercador, nasceu em Colono, perto de Atenas, na época do governo de Péricles, o apogeu da cultura helênica. Suas primeiras peças foram escritas depois que as de Ésquilo e antes que as de Eurípedes. De acordo com a Suda, uma enciclopédia do século X, Sófocles escreveu 123 peças durante sua vida, mas apenas sete sobreviveram em uma forma completa. Por quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas, que aconteciam durante as festas religiosas Leneana e Dionísia. Sófocles competiu em cerca de 30 concursos, venceu 24 e, talvez, nunca ficou abaixo do segundo lugar; em comparação, Ésquilo venceu 14 concursos e foi derrotado por Sófocles várias vezes, enquanto Eurípides ganhou apenas quatro competições".

Principais Obras


  • A trilogia Tebana -  Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona (Comprar)




Todos foram publicados no Brasil pela Editora Zahar e estão disponíveis em versão física e em e-book (inclusive na Amazon BR).

Eurípedes (480 a.C. - 406 a.C.)


Segundo a Wikipedia,
"Eurípides foi um poeta trágico grego, do século V a.C., o mais jovem dos três grandes expoentes da tragédia grega clássica, que ressaltou em suas obras as agitações da alma humana e em especial a feminina. Tratou dos problemas triviais da sociedade ateniense de seu tempo, com o intuito de moderar o homem em suas ações, que se encontravam descontroladas e sem parâmetros, pois o que se firmava naquela sociedade era uma mudança de valores de tradições que atingiam diretamente no modo de pensar e agir dos homens gregos".
Principais Obras









Todos foram publicados no Brasil pela Editora Zahar e estão disponíveis em versão em e-book (inclusive na Amazon BR).

Existe uma edição caprichada, O melhor do teatro grego, compilando uma tragédia de cada um dos três autores (Prometeu acorrentadoÉdipo rei e Medeia), além da comédia As nuvens do autor Aristófanes, com comentários e em capa dura:



Além dele, há o livro que serve como guia para a leitura dessas obras, o Tragédias Gregas, de Pascal Thiercy, publicado pela L&PM Pocket:


Leia + clássicos!